quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus ano velho


-Quando chega o fim, e se olha para trás, percebe-se que toda a caminhada anterior foi preparação. A vida de alguma forma estava provando se eu era ou não digna de chegar ao fim. 2008 e 2009 foram esses anos. As provas. O aprendizado. 2008 foi um ano maravilhoso com um final dolorido. 2009 foi um ano tranquilo e calmo, com um final antecipado, e outro final somente em 2010. 2009 veio e passou e vai deixar saudades. Da minha turma do cursinho. Dos meus professores. Dos meus olhos verdes. Dos amigos que fiz. Das pessoas que passaram pela minha vida. Foi em 2009 que eu me encontrei. E com todo o sussego deste ano, pode me ajustar as mudanças e descobertas. Foi um ano leve. E rápido. Já que pouco tempo pode ser demais para quem sabe o que quer. E eu sabia. Eu pude conversar de mais, pude aconselhar, ensinar e aprender. Entender que tudo muda, mas tem coisas que permanecem iguais. Que o passado por mais que presente está sempre - e deve ficar - no passado. Que eu vou lembrar das pessoas mas elas podem não lembrar de mim. Vivi meu ano, tive minhas provas e aguardo meus finais. Seja da maneira que for, será perfeito. 2009 se foi. 2010 chegará. Fica a saudade do ano que foi meu divisor de águas. Meu marco. Meu ano. Desejos para 2010? Somente muita paz, muita confiança. Leve, como esse ano que passou, vou cruzar a linha. Vou passar pelo calendário. Vou pisar amanhã em 2010.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Pressentimento


-Fernanda corria apressada pelos corredores da faculdade. Estava atrasada para a aula de laboratório e aquele professor era terrível, não tolerava essa tipo de atitude. Desesperada, tentou em vão chegar no horário. Não obteve sucesso, ficou para fora. Por somente 10 minutos. Encostou-se na parede fria ao lado da porta fechada e respirou profundamente, enchendo os pulmões novamente, vazios depois da quase maratona. A raiva descia gelada pela sua garganta, embrulhando o estômago e amargando o paladar. Duas horas inteiras para não fazer nada. Pensou com ironia o quanto teria sido melhor se tivesse ficado na cama aquela manhã. O despertador havia quebrado, então, Fernando passou metade do dia atrasada. E como um acontecimento ruim não basta, tudo até agora estava completamente errado. Esqueceu trabalhos, derrubou tubos de ensaio, errou a concentração de soluções, uma verdadeira maré de azar. E das altas e grandes. Foi pensando em todos esses desastres que Fernanda caminhou devagar para fora do prédio, dirigindo-se para os jardins. Encontrou uma mesa vaga, afinal todos estavam em suas aulas, e sentou-se. Ficar sentada ali assistindo o tempo passar não poderia colocar em risco a sua segurança, nem causar maiores danos. Observou os últimos alunos que entravam nas salas de aula. Suspirou alto, na tentativa de começar a conformar-se. Ao olhar para o chão, notou várias flores roxas que cresciam na grana. Era início da primavera, tudo estava colorido e florido, enquanto Fernanda estava em tons de cinza. Estendeu a mão para pegar uma florzinha que estava próxima e de imediato começou a arrancar pétala por pétala. Recitando "bem-me-quer" "mal-me-quer". "Mal-me-quer, obvio" - pensou Fernando ao chegar a última pétala. Outra flor, insistiria até obter alguma "resposta" positiva. 2 flores, 3 flores, 4 flores...5...nada. As pétalas roxas jaziam aos seus pés, misturando-se ao verde da grana. Não havia mais nenhuma flor por perto, levantou a procura de mais algumas inocentes para destruir. Ouviu uma risada baixa vindo da mesa de trás. "Claro, sou motivo de riso" - disse entre dentes. Virou de costas para ver quem estava achando graça naquilo tudo. Era um moço, sentado na grana, provavelmente observava Fernanda há algum tempo. Fernanda olhou feio para ele, censurando-o. Ele somente sorriu de volta, levantou-se e caminhou para ela com uma flor nas mãos. Observando-o desconfiada, mas curiosa, Fernanda deixou que ele se aproximasse. Ao chegar bem perto, ele estendeu a mão que segurava a flor e ofereceu a ela. "Tente com essa, vai dar certo." - disse o moço. Fernanda pegou a flor, dessa vez uma margarida branca, e recomeçou "mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer..." Quando chegou na última pétala, prendeu a respiração e parou. Daria "bem-me-quer". Antes que ela pudesse retirá-la, o moço pegou de volta a flor das mãos dela, disse - "Você vai querer guardar essa" - e sorriu, finalizando - "A sorte pode mudar."

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Foram passar o tempo que restava para a próxima aula juntos, conversar sobre flores. Fernanda sempre lembraria desse dia como sendo maravilhoso. O dia em que conheceu Adriano.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Neste natal...


Querido Sr. Noel,
Talvez esteja um pouco em cima da hora para uma carta. Talvez eu esteja um pouco crescida para acreditar que o Senhor realmente exista. Mas o natal sempre foi meu feriado favorito, exatamente por essa magia que ele contém, por trazer de voltar qualquer esperança. Acredito que nunca é tarde para um pedido, acredito que nunca é tarde para se ter fé. Há muito tempo deixei de escrever para o Senhor, oras, cartas para o polo norte? Quantos selos deveriam ter? Essa sempre foi minha dúvida. Hoje creio que poderá ler esta aqui independente de onde esteja. Eu gostaria de fazer um pedido. Gostaria de pedir meu presente de natal. É meu presente, mas não peço para mim. Neste natal peço por outras pessoas. Peço por aqueles que há tempos não acreditam em você, que há tempos desacreditaram na magia do natal. Peço pelos meus amigos e pelos meus familiares. Eu sei que o Senhor tem olhado por eles, e sabe o que se passa dentro dos respectivos corações. E eu quero que neste natal o presente seja para eles. Eu quero uma dosse de alegria, outra de amor, um pouco de paixão, muita felicidade, muita muita força e paciência, grandes caixas de sabedoria, e outra maior ainda de sucesso. Quero também que conforte-os, na maior de suas dores, que leve luz se houver escuridão no coração, que principalmente leve novamente essa maravilhosa graça que é acreditar em algo mesmo sem ter provas, a incondicional fé. Peço tudo isso para meus amigos e minha familia, porque eles merecem. Porque não gosto de ve-los tristes. Porque se dependesse de mim eu faria o mundo ser maravilhoso para eles, assim como eles tem feito o mundo ser maravilhoso para mim. Neste natal eu quero e decidi pedir por eles, abrir mão dos meus pedidos, as vezes egoístas, e desejar qualquer coisa de muito bom para pessoas que amo. Eu não quero nada, tudo o que poderia querer já está encaminhado, acho que o Senhor resolveu antecipar meus presentes. E agradeço se realmente o fez. Talvez esteja um pouco em cima da hora, talvez seja difícil encontrar na sua oficina o que eu pedi, mas eu sei que não é tarde mais. Qualquer coisa peça ajuda aquele outro bom velhinho que vive ai com o Senhor, seu amigo não é. Acredito que ELE pode te ajudar com tudo isso. Se é que vai precisar de ajuda. Eu sempre gosto de pensar que o Senhor, Noel, é somente o entregador. E que realmente o dono dos presentes é Aquele que está por ai, em todos os lugares, olhando aqui na Terra por nós. O natal sempre foi meu feriado favorito, e neste natal, creio que não será somente para mim. Lembre-se os presentes não são para mim. Em outra folha, junto desta (caso não se lembre) coloquei uma lista com o nome deles. Não esqueça ninguém.
Desde já agradeço!
Boa viagem pelo mundo na noite de natal. Quando passar aqui em casa toque os sinos. Eu gosto de ouvi-los.
Carolina.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Circulos


-Reprise. Na mais comum versão de "vale a pena ver de novo". Assista agora, não perca por nada, pode ser que dessa vez o final seja diferente. E eu já passei por tudo isso algumas vezes, e agora passo de novo. Não há como explicar o sentimento de fazer tudo de novo, mais de fazer diferente. Não há como explicar o sentimento de viver tudo de novo. Somente se vive, apesar das reprises. E eu repito, dessa vez não percam, o final promete ser diferente.
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Não tem como ser mais específica. As coisas são como são e ponto final. O ano está acabando. As esperas também. Pronto! Acabaram-se as repetições. Pelo menos eu espero.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

100°




Este aqui é a minha 100° postagem. Nada muito importante para se comemorar, mais é que eu não acreditava que poderia levar esse blog tão longe a ponto de ter 100 posts. Achei que fosse desistir e desinteressar no meio do caminho. Mas, mesmo sabendo que as vezes ninguém aparece por aqui, eu continuo porque escrever faz de mim uma pessoa melhor. Faz eu ser eu mesma. Preparei as melhores frases (de acordo com minha opinião) de todos esses posts até aqui. É, uma vez minha professora de redação disse que escrever é sempre olhar para trás. Farei essa retrospectiva.



terça-feira, 21 de abril de 2009
"...[o blog]é somente um lugar para meus textos, cheio de palavras, as vezes, já muito repetidas."

quarta-feira, 22 de abril de 2009
"Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista."

sexta-feira, 24 de abril de 2009
"Existem pessoas que marcam nossa vida, e nos tocam de uma maneira que nenhuma palavra pode definir, sentimos...simplesmente."

domingo, 26 de abril de 2009
"Passei muito tempo em silêncio observando a vida e as pessoas de longe."

segunda-feira, 27 de abril de 2009
"Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração."

quinta-feira, 30 de abril de 2009
"...e uma ofensa a eles[os livros] é uma ofensa a nós mesmos, cumplices até o fim dos segredos das suas páginas."

sexta-feira, 1 de maio de 2009
"Voltaria para sua "infancia", se permitiria ser criança mais uma vez."

sábado, 2 de maio de 2009
"Amigos são assim, eles não se separam, apenas seguem caminhos diferentes."

domingo, 3 de maio de 2009
"...e pretendo conforme vou caminhando na vida, escrever, traduzir em palavras parte do meu coração."

segunda-feira, 4 de maio de 2009
"Mais uma coisa é certa, lágrimas e chuva se misturam, se disfarçam e uma passa a ser a outra."

terça-feira, 5 de maio de 2009
"...ultimamente era assim, em cada espaço dele havia uma marca dela, como se aos poucos as vidas fossem se fundindo, se juntando."

quinta-feira, 7 de maio de 2009
"Os tempos mudaram, ou eu que mudei?"

sexta-feira, 8 de maio de 2009
"Pararam, frente a frente, olhos nos olhos. Havia mil coisas para serem ditas..."

domingo, 10 de maio de 2009
"O tempo, carro chefe da efemeridade da vida, leva tantas coisas, mais trás outras de inestinável valor, o tempo esse ladrãos dos segundos sempre reservas tantas surpresas que não se pode prever."

segunda-feira, 11 de maio de 2009
"Depois de tudo isso quero algumas coisas: uma noite de sono tranquila..."

terça-feira, 12 de maio de 2009
"Dá para acontecer ou vai ser dificil? Por favor, não demore ok? Estou perdendo as forças."

-feira, 14 de maio de 2009
"É esse o eterno mistério das esperas, a capacidade de ter paciencia e força para entender que nada dura para sempre."

sexta-feira, 15 de maio de 2009
"...chorava não de dor mais de saudade, saudade da dança que dividiram sob as estrelas."

sábado, 16 de maio de 2009
Uma obra de arte tem mil faces, um poema tem milhões de significados..."

domingo, 17 de maio de 2009
"...para esclarecimentos gerais eu sou uma eterna sonhadora."

quarta-feira, 20 de maio de 2009
"Apesar da morte...a vida segue seu rumo. Apesar da morte tudo deve continuar, mesmo sabendo que o fim é apenas o começo."

quinta-feira, 21 de maio de 2009
"A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida."

sexta-feira, 22 de maio de 2009
"Olhando assim as duas de longe, descobri que a amizade verdadeira é infinita. Dura para sempre. Resiste ao tempo e a distancia. E nunca, nunca deixa de existir, mesmo separando-se os amigos."

sábado, 23 de maio de 2009
"Eu amo você, mesmo sabendo que você irá embora amanhã, mesmo sabendo que sua vida não é minha, mesmo sabendo que suas mãos tocam outro corpo."

quarta-feira, 27 de maio de 2009
"Olhes para trás...mas vá em frentepois há muitos que precisamque chegues para poderem seguir-te."

sexta-feira, 29 de maio de 2009
"Os olhos azuis de Cristian se tornavam elétricos quando tocavam para ela."

domingo, 31 de maio de 2009
"O portão da casa mantinha-se sempre aberto, na esperança de que ela viesse e com seu toque mudasse o mundo ao redor."

segunda-feira, 1 de junho de 2009
"Não fique assim. A vida é como uma melodia. Tem suas partes alegres e tristes. As tristes...são as mais belas."

terça-feira, 2 de junho de 2009
"Essas linhas insistem em cobrar de mim esse sonho cor de rosa do amor. Chega. Vou encher linhas com outras histórias."

sábado, 6 de junho de 2009
"...[o tempo]amarela todos os papéis, deteriora todas as caixas, e desbotará o azul de meu arquivo chamado memória."

domingo, 7 de junho de 2009
"365 dias vezes 3 entre céu e mar. Somente ouvindo o silêncio dos milhares de corredores e caminhos do meu coração."

terça-feira, 9 de junho de 2009
"E tudo o que restava não importava mais. As dúvidas já haviam sido apagadas com cores. Vermelho. Alaranjado. Amarelo. Verde. Azul. Anil. Violeta."

quinta-feira, 11 de junho de 2009
"Eu tenho saudade. Saudade de tudo aquilo que já vivi, saudade de tudo aquilo que senti, saudade do que um dia eu fui..."

sexta-feira, 12 de junho de 2009
"Realmente não gostava, mais daria o mundo para gostar.[...]Daria o mundo por um amor. Um amor assim, simples, mas amor."

quarta-feira, 17 de junho de 2009
"Felicidade é borboleta."

domingo, 21 de junho de 2009"Porque os corpos se entendem, mas as almas não." Manuel Bandeira

quarta-feira, 24 de junho de 2009
"...gosto da idéia de "não pensar", talvez seja esse o caminho. Talvez seja..."

, 28 de junho de 2009
"É uma história corrigueira, mais totalmente cotidiana que aconteceu com uma amiga da minha amiga."

quarta-feira, 1 de julho de 2009
"Azul é a cor da minha eterna utopia."

domingo, 5 de julho de 2009
É domingo. E o céu está azul."

-feira, 7 de julho de 2009
"[Manuel Bandeira tinha] toda a minuncia necessária para lidar com tantos sentimentos humanos de uma maneira tão acertada."

quarta-feira, 8 de julho de 2009
"Uma mensagem que fala sobre mudança, sobre desafios e sobre amor."

sexta-feira, 10 de julho de 2009
Estou vivendo as perguntas. Mas creio que talvez já seja tempo de viver as respostas."

quarta-feira, 15 de julho de 2009
"A espera é uma constante na vida. Se espera para nascer, e espera-se pela morte. Sendo que a morte é a única certeza. O resto, o resto é a eterna espera."

quinta-feira, 16 de julho de 2009
"É sempre muito bom rever um antigo amigo."

sábado, 18 de julho de 2009
"Mas sabia ter acabado de aprender que o passado permanece no passado."

quarta-feira, 22 de julho de 2009
"Estou fazendo silêncio tentando escutar o que diz o vento que bate nas folhas das árvores em forma de brisa."

sábado, 25 de julho de 2009
"E os lábios se uniram, colaram, selados em verde-esmeralda."

domingo, 26 de julho de 2009
"É na brancura dessas palavras que deixo isso aqui assim, vazio, mas cheio de explicações."

segunda-feira, 27 de julho de 2009
"Hoje, por mais que as palavras pareçam também vazias, elas estão transbordando de felicidade, de alegria, e de esperança. Assim como quem vos escreve."

terça-feira, 28 de julho de 2009
"Somente o frio da madrugada conseguia aos poucos ganhar a batalha contra a quente esperança."

quinta-feira, 30 de julho de 2009
"-Ele vai aparecer..."

sexta-feira, 31 de julho de 2009
"É, as vezes é bom sonhar!"

terça-feira, 4 de agosto de 2009
"E ela sabia que o telefone ia tocar mais uma vez, e seria ele, e sabia também não haver mas espaço para dúvidas e incertezas."

quinta-feira, 6 de agosto de 2009
"Sim, meu nome está na lista, sim eu passei na faculdade."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009
"Passada toda a euforia dos gritos e da histeria sobra somente a certeza que a caminhada até aqui foi extremamente reta."

domingo, 9 de agosto de 2009
Continuo sabendo que ano que vem, tudo será diferente, apesar de agora, isso não parecer tão real."

quarta-feira, 12 de agosto de 2009
"Não teve, o tempo foi curto, e a verdade foi mais curta ainda."

sexta-feira, 14 de agosto de 2009
"As folhas caem, mas as árvores ficam. E ainda pernamecem por muitas primaveras."

domingo, 16 de agosto de 2009
"Moço, por favor, um cascão com duas bolas de cereja! E...moço? bem grandes ok?"

sexta-feira, 21 de agosto de 2009
"Fabiano decidiu esquecer Laura, terminar tudo antes mesmo de começar."

quinta-feira, 27 de agosto de 2009
"Era tudo passegeiro. Assim como essas palavras, assim como essa vida, assim como essa brisa que já se foi há tempos pela minha janela."

sábado, 29 de agosto de 2009
"Quando olhei pelo telescópio e vi Júpiter, entendi que a ordem natural das coisas não obedece as leis humanas."

terça-feira, 1 de setembro de 2009
"Eu desvio o olhar, porque ainda te amo."

sexta-feira, 4 de setembro de 2009
"Eu que nem entendia muito bem de "clássicos" me emocionava com as melodias, com as letras e com a simplicidade daqueles passeios."

terça-feira, 8 de setembro de 2009
"...porque mesmo estando tudo igual, eu estou diferente e vejo cada coisa como se fosse novo, de novo."

sábado, 12 de setembro de 2009
"Viver nesse mundo que os outros inventaram para mim, para todos. Mesmo sabendo que eu, possuo em segredo um mundo só meu."

domingo, 13 de setembro de 2009
"A minha vida ainda não é uma obra completa e está longe de ser, mas estou cuidando o melhor que posso dos detalhes."

sábado, 19 de setembro de 2009
"-Uhm...então tá, eu prefiro guardar meu amor em um tubo de ensaio."

-feira, 23 de setembro de 2009
"Ah! O amor! Causando agonia nos corações humanos e a felicidade extrema e dependente."

sábado, 26 de setembro de 2009
"Hoje eu só quero a emoção que o hoje me propõe."

-feira, 30 de setembro de 2009
"...e os olhos dele querendo mais, muito mais do que somente algumas xícaras de chá."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009
"Um grito. Longo, rouco e horrivelmente choroso como o vento."

sábado, 3 de outubro de 2009
"Caiu em silêncio, sem gritos, sem súplicas, somente a certeza de que suas lágrimas de nada valiam."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009
"Na verdade mesmo, eu não sou hoje nada do que eu imaginava que seria 10 anos atrás."

sábado, 10 de outubro de 2009
"...[meus amigos] sempre serão na minha medida exata, sempre existirão além de mim."

segunda-feira, 12 de outubro de 2009
"...não estou apaixonada por ninguém. Por ninguém que exista de verdade."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009
"Não há nada mais bonito do que acabar tudo com um crepúsculo, e começar tudo com o amanhecer."

sábado, 17 de outubro de 2009
"Oras, as vezes o caminho mais fácil, também é o mais certo. Quem foi que disse o contrário certamente não conhecia todas as exceções da vida."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009
"Separados por anos, por décadas, por séculos. Ele ainda escreve. Me procurando."

sábado, 24 de outubro de 2009
"...e que eu tenho mesmo que enfrenter essa realidade. Da forma como ela vier, do jeito que tem que ser. De olhos abertos. Sem ilusão."

quarta-feira, 28 de outubro de 2009
"No silêncio de minhas palavras. E no barulho inquietante de meus pensamentos."

sexta-feira, 30 de outubro de 2009
"As pessoas se convencem de que a sorte me ajudou plantei cada semente que o meu coração desejou"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009
"Na hora em que palavras forem poucas, somente fique em silêncio."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009
"A delícia de um beijo"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009
"Não tem jeito, saber que ano que vem é somente eu, comigo mesmo, dá um frio na barriga irritante."

domingo, 8 de novembro de 2009
"Confiar que o passado foi preparação para tudo que no futuro aguardará."

segunda-feira, 9 de novembro de 2009
"Tem momentos na vida da gente que tudo o que resta a fazer é esperar."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009
"Confio, portanto, somente na roda. Ela gira, assim como o mundo."

quinta-feira, 12 de novembro de 2009
"Os nossos pensamentos são somente nossos, ninguém ousa entrar neles e saber o que pensamos e sentimos."

terça-feira, 17 de novembro de 2009
"Palavras para confirmar que as vezes meus olhos vêem mais, meus olhos vêem além."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009
"Porém, eu aprendi que não existe como trapacear no jogo da vida, não existe como usar dados viciados, ou moedas de duas caras."

segunda-feira, 23 de novembro de 2009
"...porque estou partindo, deixando muitas coisas para trás."

segunda-feira, 30 de novembro de 2009
"Sua dor pode ser a minha dor. Seu medo pode ser o meu medo. Seu amor pode ser o meu amor."

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
"Demore quanto quiser. Eu espero você. Eu já cheguei."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
"Ah...seus olhos verdes. Se há alguma coisa que sentirei mais falta do que você mesmo, será dos seus olhos verdes."

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
"Ah...queria! Queria como esse verbo no pretério imperfeito. Imperfeito como esse amor, que está atrasado uns 10 anos."

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
"Eu realmente não devia sentir sua falta, mas eu nao posso deixar você ir."

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Volta?

-Acho que isso quer dizer que você sente muito, você está parado em minha porta. Acho que isso quer dizer que você volta atrás no que você disse antes. Como o quanto você queria qualquer uma, exceto a mim. Disse que você nunca voltaria, mas aqui está você novamente. Porque nós pertencemos um ao outro agora. De alguma forma unidos aqui, para sempre. Você tem um pedaço de mim. E, honestamente, minha vida seria uma droga sem você. Talvez eu tenha sido burra por te dizer adeus. Talvez eu tenha errado por tentar entrar numa briga. Eu sei que eu tenho problemas, mas você também está muito confuso. De qualquer forma, eu descobri que eu não sou nada sem você. Estar com você é tão disfuncional. Eu realmente não devia sentir sua falta, mas eu nao posso deixar você ir.

(My Life Would Suck Without You - Kelly Clarkson)


-É, eu gosto dessa música. Nada mais a declarar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Eu queria, tu querias, ele queria



-As vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois. Eu fico aqui sonhando acordada, juntando, o antes, o agora e o depois...
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Música clichê que diz muito sobre em quem e em que eu ando pensando agora. Mas eu sei que é impossível, eu sei que só vale a pena pensar nisso porque realmente nunca vai acontecer. Se eu queria? Ah...queria! Queria como esse verbo no pretério imperfeito. Imperfeito como esse amor, que está atrasado uns 10 anos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

E quando fechar os olhos...


Marília, 9 de dezembro de 2009
Meu querido...
Escrevo esta carta para dizer através dessas linhas tudo aquilo que não consigo dizer olhando em seus olhos. Dizer o quanto eu te amei durante esse ano que passou. Dizer o quando foi maravilhoso ter sua companhia todas as manhãs, tardes e noites. Dizer que se hoje eu sei o que é amar, é graças a você.
Lembro de como nos conhecemos, ou melhor, nos reencontramos. Lembro das horas que passamos conversando ao invés de fazer qualquer tipo de trabalho. Das vezes que fugiamos para aquele cantinho que você dizia ser só nosso. Da cama branca, das cortinas a balançar ao vento, do céu azul daquela janela, do infinito daquele horizonte. E lembro, e para sempre me lembrarei, dos seus olhos. Dos seus olhos verdes que não perdem o espanto ao olhar para mim a cada dia. Como se cada vez, fosse a primeira vez. Como se não cansassem de procurar qualquer novidade, qualquer detalhe que haviam deixado passar. Ah...seus olhos verdes. Se há alguma coisa que sentirei mais falta do que você mesmo, será dos seus olhos verdes. Eles são um mistério completo para mim.
Depois da noite de ontem, depois da semana que tivemos, depois do ano que terminará, tenho que dizer que foi -foram- os últimos. Os últimos para nós. E começará o primeiro para mim. Já havia dito a você tudo isso, já haviamos conversado e acertado tudo. E é assim que acaba. No entanto, para mim, faltava alguma coisa, e então, resolvi te contar que eu amo você mesmo e muito. E nunca amarei outra pessoa assim. Eu vou embora, mais o meu amor fica. Tudo acaba mais a paixão continua. Fica a saudade, e vão-se os abraços. Fica a boca, e vão-se os beijos. Fica a lembrança, e vão-se os momentos. Eu fico com você em pensamento. Mesmo partindo.
Isso, meu amor, não é um adeus, é uma despedida. Porque quem ama, nunca deixa para trás a coisa amada. E quando eu fecho meus olhos, a primeira coisa que vejo é você. E sempre será assim. Lembre-se de mim, lembre-se das palavras ditas, e lembre-se que você me fez prometer que não me esqueceria do que dividimos, do que descobrimos, e eu cumprirei. E sei que você também não esquecerá.
Eu tenho que ir, preciso. Eu te amo. Ainda te amo.
Até qualquer dia desses, pela vida. Meu amor.
Carolina

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Próximo passo


-Daqui de cima eu só ouço o barulho suave do vento. Só ouço o cantar de alguns pássaros ao longe. Só ouço o som das águas que correm, abaixo de mim, distante de mim. Daqui de cima tudo é tão silêncioso e calmo. Daqui de cima tudo parece fazer sentido. Tão calmo, e com o mundo tão distante. Eu posso sentir meu coração batendo, minha respiração fluindo, cada nervo relaxando. Eu posso sentir que daqui de cima, a vida é simples e fácil. E eu posso entender os motivos de todos os acontecimentos. E eu posso saber das razões e dos motivos. Mas só quando se chega aqui em cima, se sabe que a caminhada não é mais em linha reta. Quando se está aqui em cima, com os olhos limitados pela visão do horizonte tudo o que eu sei é que a caminhada não acabou. Outros desafios me esperam. Eu estou aqui em cima. Esperando você chegar. Esperando você completar sua caminhada. Demore quanto quiser. Eu espero você. Eu já cheguei.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Respeitável público



-Não minta para mim. Não conte histórias inventadas. Não esconda o seu coração. Não oculte-se atrás dessa máscara escolhida e colada perfeitamente em seu rosto. Seus olhos são tão bonitos, mesmo estando opacos, então, eu tenho certeza que seu coração também será. Não me deixe assim, com falsas promessas, com palavras vazias, com fingimentos. Eu sei quando você dissimula. E me calo porque percebo que você se perde dentro de você mesmo, sem saber qual história absurda sustentará a próxima. Olhe ao redor. Quantos muros foram construídos encobrindo sua verdadeira essência. Quantas negações. Quantas vontades e desejos oprimidos. Não, não minta para mim, eu sei. Eu sempre soube que era invenção. Mas eu sempre quis acreditar que você se encontraria um dia. Que me olharia com a luz brilhante dos seus verdadeiros olhos e me contaria o fato que já sei. E ficaria feliz em ver, pela primeira vez, você. Não use mais essa máscara. Sua dor pode ser a minha dor. Seu medo pode ser o meu medo. Seu amor pode ser o meu amor. Mas, agora...agora que sua face está oculta por tanto tempo, será que lembra como era antes? Será que sabe encontrar o ponto da estrada no qual, você se perdeu de você mesmo? Não encene mais. Não minta mais para mim. Eu não quero ver esse rosto estranho no espelho. Um rosto que você não reconhece. Vamos, sente-se aqui, tire essa máscara. Saia do personagem. Sente-se aqui, e chore no meu ombro. Chore a queda de um ser que você não conhecia mais. Chore. E eu poderia escutar sua verdadeira história. E talvez, te mostrar a minha antiga máscara.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Leaving...


"All my bags are packed
I'm ready to go.
I'm standing here outside your door
I hate to wake you up to say Goodbye
But the dawn is breaking it's early morn
The taxi's waiting he's blowin' his horn
Already I'm so lonesome I could die

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go'cause
I'm leaving on a Jet Plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe I hate to go

There's so many times I've let you down
So many times I've played around
I tell you now they don't mean a thing
Everyplace I go I'll think of you
Every song I sing I'll sing for you
When I come back
I'll bring your wedding ring

Now the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Then close your eyes and I'll be on my way
Dream about the days to come
When I won't have to leave you alone
About the times I won't have to say Goodbye"

(Leaving On A Jet Plane - John Denver)
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Para reforçar:

-Então beije-me e sorria para mim,
Diga-me que você esperará por mim
Abrace-me como se você nunca fosse me deixar ir.
Pois estou partindo num avião a jato,
Não sei quando estarei de volta outra vez;
Oh babe, eu odeio partir...

E é tudo o que eu peço...porque estou partindo, deixando muitas coisas para trás. Só que eu volto. Eu sempre voltarei.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O fim dos dias

-O tempo está passando. As horas estão voando. Os dias então correndo. E mais um ano quase se vai. E mais alguns sonhos também se vão junto com ele. Assim como vontades, desejos, abraços e beijos. É a vida que passa cada vez mais rápido diante de meus olhos. E cada vez mais parece que pouco tempo pode ser demais, pode ser demais para mim, que sei o que quero. Hoje ainda mais do que nunca. Tudo o que eu queria era adiar algumas etapas, pegar alguns atalhos, encurtar essa estrada que inevitavelmente chegará ao fim com o findar dos dias desse ano. Porém, eu aprendi que não existe como trapacear no jogo da vida, não existe como usar dados viciados, ou moedas de duas caras. E sequer, arrumar um jeito de adiar qualquer coisa que realmente está traçado para acontecer. Eu passei por tudo o que tive que passar e as vezes fiz hora extra. Eu aguentei aquilo que tive que aguentar e as vezes até além do que podia. No entanto, estou aqui, percorrendo a caminhada já traçada por Aquele que está lá em cima com força e com vontade de chegar ao fim. O fim que eu vejo logo adiante e que terminará finalmente, juntamente com os dias desse ano. Mas, será somente os dias que chegarão ao seu derradeiro fim, e claro, esta caminhada também. Outra se inicia assim que meus pés tocar a manhã do primeiro dia do ano que chegará. Só que essa caminhada é fruto de minhas escolhas, de minhas metas, e de meus objetivos alcançados com a graça Divina e com a luz brilhante que chega lá de cima para mim. É minha vez de brilhar. E terei, creio eu, muitas e muitas outras dificuldades. Claro, se a vida fosse fácil... . Fácil é falar da vida, difícil é percorrer seus tortuosos caminhos. E, com a ansiedade que eu escuto o tic-tac do meu relógio eu não vejo a hora de olhar para novos horizontes, de pousar meus pés em novas terras. Terras que eu escolhi, horizontes que vieram até mim da maneira mais simples e clássica - através de escolhas- certas escolhas eu diria. Eu tinha medo de errar, mas olhando a luz do crepúsculo de um ano que se vai eu vejo que acertei. Sim...eu acertei. Deus acertou para mim e comigo. Então, é chegada a hora do tempo voar, abrir suas assas e cumprir seu papel final, porém não último, nessa etapa. Me levar para o amanhã, mais livre e mais feliz do que nunca. Em um vitória que não é minha. Em uma vitória que pertence a Alguém que lá de cima me acompanha. Tic-tac...Tic-tac...Tic-tac...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pretensão


-Enquanto gotas de chuva batem em minha janela, eu penso. Penso no futuro. Penso no passado. E deixo o presente simplesmente acontecer da forma que lhe convir. Por essas gotas de chuva tristes eu vejo espelhado meus olhos sinceros e sérios que deixam transparecer toda a dúvida que possuem. Através dessas gotas de chuva que batem em minha janela eu enxergo muito além do que realmente vejo e perco a força de escrever. Sim, pois tudo se torna tão claro com as imagens à minha frente que...para que palavras?
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Palavras para eu lembrar.
Palavras para eu saber que vi.
Palavras para confirmar que as vezes meus olhos vêem mais, meus olhos vêem além.
Além de tudo o que acontece.
Além de pessoas que se enaltecem.
Além de olhares que mentem e que adoecem.
E eu sei o que há por trás das máscaras. E eu vejo refletido em meus olhos a verdade. Pálida e clara que se revelam por detrás das gotas de chuva.
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-Eu vejo mais. Eu vejo além.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dinâmico e fixo


-Essa imagem me marcou. E fiquei alguns minutos tentando adivinhar os pensamentos do rapaz. Eu tenho minhas conclusões. Um amor perdido. Saudade de alguém que se foi. Lembranças de bons momentos com amigos, com amores. Reflexões sobre a vida. Talvez algum arrependimento. Talvez alguma felicidade extrema e uma paz de espiríto. Talvez nada. Nada que possa ser comprovado. E é por isso que eu gostei. Os nossos pensamentos são somente nossos, ninguém ousa entrar neles e saber o que pensamos e sentimos. Por um lado, um alívio, por outro, quanta solidão. É na profunda e escura mente, que surge as mais terríveis, as mais malucas, as mais controversas, as mais simples, as mais românticas das idéias. Que talvez, nunca serão verdades. Em que ele estava pensando? Talvez...exatamente no fato de que eu pensaria quando olhasse a foto. Talvez fotos sejam para isso. Nos fazer pensar. Para além da imagem fixada.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Gira mundo




-A vida é uma roda-gigante de parque de diversão. Uma hora se está no alto. Em outra hora se está embaixo. Há! Mas ai existe um detalhe. Quando se está embaixo, sabe-se que subirá. E quando se está em cima, sabe-se que descerá. A vida nos dá essa mesma certeza. Essa mesma alternância. Essa mesma surpresa. O único problema é que não sabemos quando desceremos. Ou quando subiremos. O que torna tudo mais divertido. O que torna tudo mais incerto. O que torna tudo digno de ser aceito do jeito que nos é mostrado. Porque quando menos se espera, o motor volta a funcionar, a roda recomeçar a girar, e quem poderá ter a certeza de para onde ela vai? Descer? Subir? Nunca se sabe...nunca saberemos. Confio, portanto, somente na roda. Ela gira, assim como o mundo.
"A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração"
Chico Buarque - Roda viva

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tijolos


"Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar. "
Canção do Tamoio - Gonçalves Dias
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Eu vejo um grande muro na minha frente. Uma grande muralha. Impedindo minha caminhada. Tapando minha visão do sol, e dos passos futuros. E o que mais incomoda, é saber que eu mesma coloquei ela ali. Eu mesma, com minhas decisões e escolhas, fiz que ela surgisse. E agora? Devo escalar? Devo dar a volta? Devo simplesmente permanecer parada aqui, contemplando tudo o que deveria acontecer, mas que não irá, porque não há mais forças para chegar ao outro lado? Tem momentos na vida da gente que tudo o que resta a fazer é esperar. Esperar por não ter mais forças para tomar alguma atitude decisiva. Então, com o peso das minhas escolhas a esmagar minhas costas eu espero. Olhando de frente para essa muralha, olhando de frente para o bloqueio de meus planos futuros. Espero com fé, acreditando que virá uma solução. Acreditando que alguém do outro lado me mandará uma corda. Uma cadeira. Uma escada. Novamente, eu me vejo esperando.

domingo, 8 de novembro de 2009

Libertà


-Ser como o pássaro que voa no céu azul. Livre, planando na imensidão. Sentir o vento percorrer as asas. Respirar o ar fresco que enche os pulmões. Cortar as nuvens de algodão. Arrebentar as correntes que prendem os pés ao chão. Levantar vôo alto, baixo, rasante. Ter o horizonte como limite. Como fronteira da visão. Deixar a mente vagar pelos labirintos antes desconhecidos. Fechar os olhos e enxergar tudo. Enxergar o que se está dentro. Sentir o que se está fora. Ser grandioso pelo menos em pensamento. Acreditar, mesmo que nada prove concretamente, no que está por vim. Acreditar, somente. Abrir os cadeados da visão, para finalmente enxergar o mundo. O mundo verde, azul, amarelo, laranjado, colorido. Permitir que o coração bata somente por bater. Somente por sentir. Somente por viver mais um dia. Viver a plenitude do corpo e da mente. Confiar no futuro e não planeja-lo. Confiar que o passado foi preparação para tudo que no futuro aguardará. Libertar-se de pré-conceitos, pré-definições, padrões. Libertar-se e alçar vôos cada vez mais altos. Deixar a alma percorrer o infinito e os mistérios que a cercam. Viajar longe. E saber que se está mais longe a cada viagem. Mas sempre, e por vontade própria, voltar para casa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Butterfly kisses


"With all that I've done wrong,
I must have done something right...
To deserve a hug every morning,
and butterfly kisses at night."
-Quando a ida é iminente não se há outra coisa a fazer a não ser, preparar-se para ela. Mesmo faltando meses para que eu vá embora da doce casa da minha mãe, eu sinto saudades. Estranho mesmo é quando eu começo a lembrar de todos os momentos que passei com minha família e, assim, lágrimas insistem em escorrer. Não tem jeito, saber que ano que vem é somente eu, comigo mesmo, dá um frio na barriga irritante. Eu escolhi isso, eu quero isso, nunca quis mais isso na minha vida. E estou certa que não mudarei de idéia tão cedo. Eu preciso ir, não há espaço para mim nesta cidade, ela fica pequena á medida que eu cresco. Então, só me resta ir embora. E com fé e a coragem que adquiri nesses anos e anos de espera, eu vou. Farei as malas, levantarei a cabeça, e...caminharei para meu futuro. Não sem lágrimas nos olhos, não sem dor, não sem saudades. Mas com a confiança de que estou ganhando e não perdendo, de que estou encontrando e não deixando para trás. A música me lembra somente essa etapa da vida, em que os filhos finalmente, deixam os pais. Com a certeza de que eles estarão mais presentes do que se imagina.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O beijo


-Duas bocas. Dois pares de olhos fechados. O silêncio da ação. A dança dos lábios se tocando. A sincronia das mãos. O jogo dos corpos, presos, mas leves e soltos. O toque macio da pele. O sabor suave, tocando a ponta da língua. O cheiro doce, ou não, fresco, ou não. A leveza e a graça do movimentos das cabeças. O encaixe perfeito entre um lábio e outro. A temperatura da respiração tão próxima. O arrepiar dos pêlos. O frio na barriga. As estrelinhas na visão, que se vê mesmo de olhos fechados. A textura dos cabelos, das roupas. O abraço, as vezes apertado, as vezes solto. A urgência da troca, do toque. Dos lábios. Da pele. A complicação gostosa do momento. A mágica do momento. O sentimento único de cada toque, de cada beijo. A delícia de um beijo

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Silenzio


-Fique em silêncio. Feche os olhos e somente escute, sem prestar atenção, o som das vozes ao redor. Fique em silêncio. E mesmo que o barulho intenso lá de fora incomode, no silêncio tudo, tudo se torna compreensível. Para que palavras ditas? Para que ensaiar, argumentar, conversar, se tudo é dito e explicado no silêncio de um olhar, na falta de palavras. Feche a boca, cale a alma, e olhe nos olhos. Olhe nos olhos de cada pessoa, olhe fundo, e será fácil entender os motivos pessoais que levam qualquer um a fazer isso ou aquilo. Fique em silêncio e permita ao outro falar, fique em silêncio e conserve as palavras para horas nas quais elas não podem faltar. Fique em silêncio e assim, todo o interior, todo o mundo, será explicado e será entendido. Na hora em que palavras forem poucas, somente fique em silêncio.
-Estou de volta. De volta de uma viajem cheia e falatórios, de vozes, de pessoas. E eu nunca estive tão quieta, tão em silêncio. E apesar de eu ser alguém que fala de mais, estou gostando muito da idéia de falar de menos. É mais profundo, mais intenso, como se unir ao meu inteior. Depois de tantas vozes, de tantas palavras, eu quero mesmo o silêncio. Claro, que só será quebrado com alquela boa conversa, com aquela pessoa especial.
Por: Carolina

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Música




Coração Pirata - Roupa Nova
O meu coração pirata toma tudo pela frente
Mas a alma adivinha
O preço que cobram da gente
E fica sozinha...
Levo a vida como eu quero
Estou sempre com a razão
Eu jamais me desespero
Sou dono do meu coração
Ah! O espelho me disse
Você não mudou...
Sou amante do sucesso
Nele eu mando, nunca peço
Eu compro o que a infância sonhou
Se errar, eu não confesso
Eu sei bem quem eu sou
E nunca me dou!
Quando a paixão não dá certo(Não há porque me culpar)
Eu não me permito chorar(Já não vai adiantar)
E recomeço do zero sem reclamar
Quando a paixão não dá certo(Não há porque me culpar)
Eu não me permito chorar(Já não vai adiantar)
E recomeço do nada sem reclamar
As pessoas se convencem
De que a sorte me ajudou
Plantei cada semente
Que o meu coração desejou
Ah! O espelho me disse
Você não mudou...
Faço porque quero, estou sempre com a razão
Eu jamais me desespero
Sou dono do meu coração
Ah! O espelho me disse
Você não mudou!
Você não mudou!
Não mudou ...
-Estou feliz. As palavras parecem que voltaram. Enfim, eu amo música, não consigo viver sem escutar qualquer coisa com melodia durante o dia, e com meu irmão sabendo tocar violão, fica perfeito. Essa em especial, diz muito sobre mim...mais do que deveria na realidade. Vou viajar nesse feriado. Descansar de livros e de apostilas. Volto a todo vapor.
Por: Carolina

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sem palavras


-Já faz um tempo que não consigo escrever como antes. Já faz um tempo que penso em histórias, e elas simplesmente não se transformam em palavras. Antes era tão fácil. Porque agora está tão difícil? É necessário amar para escrever? É preciso estar sofrendo para escrever? Não sei...não sei. Sei que há muito tempo minhas histórias ficam em minha cabeça, passando vezes e mais vezes como um filme, e quando pego papel e caneta elas desaparecem. Frustante. E para não abandonar de vez isso aqui, com minha recente crise literária, eu enrolo. Estou enrolando agora, enquando dou voltas e voltas, me perguntando quando voltarei a escrever. Talvez o segredo seja mesmo amar, para poder escrever. Ou desiludir-se no amor. Ou ter vários amores, fixos, não fixos, rolos. Sempre achei que o literatura estava junto com os amores. Se for assim então, vou começar a deixar isso aqui em silêncio. No silêncio de minhas palavras. E no barulho inquietante de meus pensamentos.
-Estava imaginando uma história de um lobo. Que corre pela mata, tentando afastar a dor de sua vida, antes humana. Um lobo que nega seus sentimentos por machucar de mais, um lobo que pensa em nunca mais ser homem, simplesmente pela condição humana trazer consigo uma enchente de sentimentos, as vezes incontroláveis. E tentando esquecer tudo isso, o lobo corria. Mas sabe, talvez histórias com lobos que se transformam em homens seja mesmo clichê. Quem sabe outra hora, quem sabe em outra oportunidade. Hoje vim aqui mesmo lamentar minha falta de histórias.
"Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi."
Mario de Andrade

sábado, 24 de outubro de 2009

Eu não sou ninguém



"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Alváro de Campos - Fernando Pessoa -


-Tem horas que eu só queria fugir para meu universo paralelo. Mas ai eu lembro que universos paralelos não existem, e que eu tenho mesmo que enfrenter essa realidade. Da forma como ela vier, do jeito que tem que ser. De olhos abertos. Sem ilusão.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cartas para mim


-Eu sonhei que recebia cartas. Cartas de alguém distante, cartas de alguém que eu não conhecia. E essas cartas eram tão bonitas, tão bem escritas, com linhas e linhas de uma caligrafia floreada e antiga feitas no papel fino com uma caneta fina. Eram cartas de amor. Juras de amor eterno para alguma donzela esquecida em um passado que não conheço, que ninguém conhece. Mas as palavras, o estilo, o romantismo de se mandar cartas em uma época que prevalece e-mails, me tocava, me emocionava e eu queria a todo custo encontrar o dono de tais palavras. As mãos que permitiam formar a bela caligrafia. E procurava, escrevendo para o mesmo endereço, mas não vinham as respostas, somente mais cartas, mais juras de amor, mais promessas de um amor eterno que superaria todas as barreiras. Sem assinaturas, sem nome do remetente. Somente destinatário. Somente meu nome, meu endereço, somente a mesma despedida em todas elas. "Daquele que te ama". Como poderia essas cartas me encontrar? Como poderia essas cartas serem para mim? Quem seria o autor? Quem seria... . E eu ficava perturbada por não saber, por procurar e não encontrar que, em meu sonho, passei a não abrir mais as cartas. E mesmo assim elas continuavam a chegar. Como se as palavras não pudessem acabar, como se houvesse um estoque inesgotável de papéis, de canetas, e de selos. Os dias passavam, e a quantidade de cartas aumentava. E eu não abria, não lia, não respondia. Até que finalmente elas pararam. E por dias eu sinti falta dos papéis, da caligrafia, da letra. Mas me tranquilizava por não ser alvo de uma amor que não existia, que não poderia existir. Não no século XXI. No fundo do meu ser eu queria que alguém tocasse a campanhia e dissese que era o autor das cartas, que viera me buscar, para viver comigo até o fim dos tempos. Impossível. Ilusão. Tudo o que existia era somente cartas, e palavras, que na maioria das vezes se tornavam vazias pela falta de algo concreto a que pudesse relaciona-las. E eu acordei desse sonho inquieta. Impressionada. Acordei desse sonho e vim até aqui escrever sobre o que vi, o que meu interior me mostrou como um filme. E agora que faço de minhas próprias palavras linhas, percebi -como de súbita compreensão- que eu era a donzela, que há séculos atrás figiu e deixou para sempre o príncipe que ainda procura por mim. Separados por anos, por décadas, por séculos. Ele ainda escreve. Me procurando. E um dia ele vai me encontrar. Ele vai me encontrar.
(piegas) Já disse que preciso parar de ler aquele romance. Ele me deixa com a cabeça totalmente cheia de nuvens. Nuvens cor de rosa!

sábado, 17 de outubro de 2009

Questões


-Entre todas as questões já resolvidas da minha vida, existem duas que ainda me deixam sismada. Duas que ainda não foram totalmente solucionadas. Uma diz respeito a desistência, e a outra, pode parecer piegas, (aliás, vai parecer piegas) diz respeito a encontrar o amor da minha vida. Quanto a desistência, bom, só tenho a dizer que eu realmente desiste de algumas coisas no começo desse ano. Desisti, não porque estava cansada de lutar por elas, mas por simplesmente não ter mais condição de sofrer. Cada passo que eu dava em direção a esse objetivo masoquista, machucava demais, depois de ter me enchido de esperança antes. Era cruel, foi cruel. E eu só me dei conta disso quando o buraco no peito era fundo de mais, quando eu já estava até acostumando de tanto cair e levantar. Alguém me disse uma vez "Então você vai desistir de tudo o que é difícil pela vida" quem sabe? Oras, as vezes o caminho mais fácil, também é o mais certo. Quem foi que disse o contrário certamente não conhecia todas as exceções da vida. Enfim, eu desisti e agora eu não quero voltar atrás. Mas as vezes ainda dói, ainda incomoda. Não que eu me arrependa, não. Eu somente quero seguir em frente, e tenho a certeza que acertei. Só que o olhar no rosto das pessoas, a reprovação, a frustação, não são coisas agradáveis de se ver. Eu queria somente que as pessoas tivessem por minhas decisões o respeito que eu tenho pelas decisões delas. Só isso. E quando eu puder ver isso, essa questão que ainda martela de vez em quando estará resolvida.
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-Quanto a segunda questão, a do amor da minha vida, creio que seja mais complicada. Complicada porque não depende somente de mim. Depende de outra pessoa. Depende das conspirações do universo ao meu redor. Eu sou extremamente romântica, clássica, e as vezes machuca sair pelas ruas e olhar os casais, olhar o jeito, as atitudes apaixonadas, as mãos dadas. E eu penso, penso que cansei de ficar sozinha, penso que quero alguém para dividir, para me dividir, penso que já levei muita pancada do amor, e que tudo isso não é muito justo. Pode parecer estranho, mas nem sofrer por amor eu sofri. Todos os "relacionamentos"- se é que pode chamar assim o que tive- foram superficiais de mais para me causar desencanto quando terminaram e isso também não é justo (como eu sou louca, querendo sofrer por amor!). Mas o que falta, o que eu sinto falta, é isso! É essa experiência que ainda não aconteceu na minha vida, como eu, uma pessoa que escreve de amor, de sentimentos, nunca amou de verdade? Nunca senti nenhuma das dores que eu mesmo descrevo? Tudo foi insipiente de mais, fraco de mais...quero a intensidade dos romances avassaladores que leio nos livros. Eu quero, e quero a pessoa certa para mim, na hora certa para mim, que parece ser agora. Será que é pedir de mais?
Estranho, mas eu acredito com todas as minhas forças que eu vou conseguir, que isso vai acontecer. Espero que sim.
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Desculpa os desabafos. As vezes os sábados parecem sufocantes, e as palavras me ajudam a superar tudo isso.

Nota futura: Não ler mais livros românticos, isso acaba comigo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meu crepúsculo

"É o crepúsculo de novo. Outro final. Não importa o quanto os dias sejam perfeitos, eles simpesmente têm de acabar..."

Eu gosto do fim. Simplesmente porque com ele, nasce outro começo. E eu gosto de começos, apesar de ter medo deles, mudanças as vezes me assustam. Mas nada como o raiar de sol de uma manhã para levar embora meus medos, meus receios e me fazer desejar por novidade, por surpresas, por novos sentimentos. Não há nada mais bonito do que acabar tudo com um crepúsculo, e começar tudo com o amanhecer.

Talvez tenha mais nessas meras palavras do que eu mesma possa imaginar. Mas subentendidos, são somente subentendidos, e quem será que se dará ao trabalho de ler nas entrelinhas?

"Extingue-se o dia para todas as coisas, mesmo para as melhores; chega o crepúsculo."

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quando eu amar...

"Amar:

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro."
Mário Quintana
Não tenho muito o que dizer, não estou apaixonada por ninguém. Por ninguém que exista de verdade. No fundo eu só idealizo mesmo, e quero com toda paixão que existe em mim que ele apareça seja quando for. E que seja logo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Além de mim

-Foi uma semana de comemorações. De presentes. Não somente presentes materiais, muito mais do que isso. Essa semana que passou mostrou para mim que ganhei presentes para a vida inteira. E eles não estragam, não saem da moda, não ficam pequenos nem grandes, esses presentes cabem certinho dentro do coração, e sempre serão na minha medida exata, sempre existirão além de mim. Eu ganhei amigos. Que são pessoas que te querem, apesar de nada. Que são pessoas que não irão embora, apenas seguirão caminhos diferentes do meu. Que são pessoas que possuem um pedaço de mim, mas eu possou um pedaço ainda maior deles. Precisei procurar por 20 anos, para encontrar amigos que me servem, que cabem em mim, que cabem na minha vida. Só que cada passo que andei nessa busca foi recompensado com a presença deles em meu caminho. Amizade é tão complicado, porém, tão simples! Eu ainda não a entendo, sinto...somente. Porque, acredito, que se reconhece um amigo de verdade no olhar, na cumplicidade, na devoção. Eu queria somente agradecer. Agradecer a todos meus amigos que fizeram essa semana ser maravilhosa. Que fazem todas as semanas serem maravilhosas. Que fazem a passagem pela vida ser mais agradável e feliz.

Obrigada!

Especialmente para meus amigos novos (de 2009), e para os velhos, porém amados, amigos de sempre!

p.s: Acho que vocês sabem que isso é para vocês né? Espero de coração que sim!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Entre bolos, velhinhas e balanços.


-Eu queria mesmo era ter postado amanhã, mas eu sei que não terei tempo e não quero também deixar essa data passar em branco (literalmente) por aqui. Amanhã é meu aniversário. Em 6 de outubro de 1988 eu nascia. Há quase 21 anos atrás. Eu adoro fazer aniversário, o oposto de muitas pessoas por ai, eu realmente não ligo para a idade (pelo menos não agora) eu ligo mesmo é para os valores que eu trago dentro do coração. A idade é apenas um número. Somente isso. Enfim, vamos a história. Quando eu tinha 11 anos, exatamente quase 10 anos atrás, e olhava para pessoas mais velhas do que eu, ficava imaginando como eu iria ser quando tivesse 21 anos. Talvez um pouco mais alta do que agora, talvez um pouco mais magra do que agora, talvez um pouco mais bonita do que agora. Na verdade mesmo, eu não sou hoje nada do que eu imaginava que seria 10 anos atrás. Eu pensava, quando criança, que ser "gente grande" era a resolução para todos meus problemas infantis. Mera ilusão, ser "gente grande" é ter que enfrentar problemas inéditos, e sair deles com soluções as vezes inétidas, é ter mais responsabilidade do que se imagina quando se tem somente 11 anos, é responder por tudo o que se faz - cuidando para as consequências dos atos não serem desastrosas. Mas também é sonhar com contos de fadas, brincar como se fosse criança, agir como se fosse criança, nem que somente as vezes. Olhando para trás, neste breve balanço, eu entendo que vivi meus 21 anos muito bem, não mudaria nada, não faria nada de novo. Cada fato aconteceu na medida exata para que eu chegasse até aqui do jeito que sou hoje. Feliz, com 21 anos, e me imaginando como estarei daqui mais 21 anos.
Agradecimentos adiantados a todos que me desejarem parabéns. Agradecimentos adiantados a todos que passam por aqui. E...PARABÉNS PARA MIM!

sábado, 3 de outubro de 2009

Quando tudo se torna inesplicável - Parte 2 - A queda


-Edward Vandergate era o filho mais velho do casal Vandergate. Um jovem misterioso, sempre calado, seus olhos negros desconfiados, fechados para qualquer sinal de manifestação sentimental. Mas era bonito. Muito bonito. De porte atlético, sempre era visto exercitando-se pelos arredores da propriedade dos pais que localizava-se na colina montanhosa junto a um grande penhasco. A casa erguia-se majestosa a beira do abismo, equilibrada entre o nada e o forte de pedra que a segurava. Havia várias lendas e mitos sobre a casa da colina e a família Vandergate. Cada uma mais fantasmagorica que a outra, de fato ao olhar a casa do vilarejo da planície não havia outra coisa a se pensar a não ser que era realmente amaldiçoada. Principalmente quando chovia e os ventos lamentavam gritando ao redor da casa.
E chovia no vilarejo e a casa, juntamente com os 4 Vandergartes dormia. Edward Vandergate dormia, profundamente perdido em seus pesadelos. Foi quando acordou, de sobresalto, com um grito horrivelmente choroso ecoando em seu quarto, vencendo as barreiras das portas e janelas, adentrando em sua mente. Seus olhos vidrados de terror não piscaram, se levantou com um pulo, vestiu o roupão vinho e saiu desabalado pelos corredores sussurrando freneticamente "Elizabeth" "Elizabeth"... . Como podia sua amada morta gritando pelos corredores da mansão? Não fazia sentido algum, pessoas mortas não gritam, pessoas mortas não andam pelos corredores, a não ser que...Não! Impossível. As lendas eram somente lendas. Mesmo assim iria verificar. Quando alcançou o grande salão de entrada e notou que as portas estavam abertas nem percebeu que o velho mordono estava ali, petrificado, falando sozinho alguma coisa sobre assombração, e espíritos. Edward, entretando, não prestou muita atenção, somente apressou o passo, ganhando finalmente a fria madrugada, as gotas de chuva molhavam seus cabelos escuros, sua roupa, mas ele continuava em seu caminho. Passou pelos jardins, contornou a casa indo em direção ao penhasco, a uns 6 metros de distância já avistou a cruz de pedra , o túmulo de Elizabeth. Sua noiva que havia morrido há alguns anos, brutalmente assassinada nos jardins da casa dos Vandergates, o assassino, no entanto, nunca fora encontrado. Ela havia sido enterrada a beira do penhasco, para viver eternamente na infinita imensidão do abismo. Edward ao se aproximar notou algo estranho, o túmulo estava aberto, vazio. Intacto, se não fosse a tampa tombada do lado, e frio. Como se não bastasse o susto do túmulo vazio, Edward viu, Elizabeth de costas a beira do penhasco, com o vestido branco a tremular ao vento, os longos cabelos loiros contrastando com a escuridão da noite. Edward caiu de joelhos aos seus pés, abismado, espantado, chorando de medo, de surpresa, de remorso. A verdade o atingia como flecha, mortal, esmigalhando seu coração, ele soluçava de desespero. Ele havia matado-a. Ele! Facadas certeiras no coração. Devido a uma briga, uma discussão, e agora ela havia voltado. Por vingança, talvez? Edward não conseguia parar de chamar por ela, de suplicar por perdão. Foi Elizabeth quando se virou, seu rosto imaculado,perfeito e seus olhos claros a encara-lo, julgando-o, acusando-o.
As lágrimas de Edward se misturavam com a chuva e ele sentia tamanho desespero que sem medir as consequências, foi ao encontro de Elizabeth, abraça-la. Em vão, seus olhos piscaram por um minuto antes da queda, era tarde de mais, o chão fugiu dos seus pés, ganhou o ar gelado da noite, ele ainda sapateou a beira do penhasco, mas caiu. Caiu em silêncio, sem gritos, sem súplicas, somente a certeza de que suas lágrimas de nada valiam. Ele era um assassino. Antes de bater com um baque surdo no chão de pedras, ele ainda pode ver Elizabeth, os olhos dela estavam no horizonte, firmes. Com uma última trovoada, a chuva cessou, as nuvens escuras e carregadas foram levadas pelo vento para longe, cedendo lugar a claridade bela do amanhecer. Foi com os primeiros raios da manhã que a família Vandergate acordou, glorificando mais um dia de vida.
Nota: Continuação. Foi um desafio para mim escrever esse texto. Nunca fiz a linha "escritora de mistérios" aliás, nem escritora eu sou, mas tentei. Parabéns Pedro! Essa continuação é seu presente! Queria mesmo te dar alguma coisa escrita por mim! Espero que goste.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quando tudo se torna inesplicável


Relâmpagos riscavam a noite escura. Suas luzes ofuscantes penetravam pelo vidro das janelas da mansão, projetando sombras agourentas nas paredes dos corredores desertos. A família Vandergate dormia profundamente, cada um em seu quarto, presos em pesadelos particulares. O único som era o da chuva torrencial caindo lá fora. E só.
À meia-noite em ponto, o antigo relógio empoeirado da vasta sala de visitas disparou suas doze badaladas, cujo som grave e longo repercutiu pela casa como um lamento triste e distante. Ao soar da décima segunda nota, o silencio que se seguiu foi imediatamente rompido por uma estrondosa batida na porta da frente.
BAM!
Os escuros olhos de Alfred Owl Stewart, velho mordomo da mansão Vandergate, abriram-se no mesmo instante. O senhor cadavérico de setenta anos nunca dormia, sempre estava atento ao mais ínfimo barulho noturno. Por causa disso, seu patrão milionário, James Johan Vandergate, o apelidara de sua "Coruja de Guarda". Alfred odiava tal apelido. Afinal, ele odiava todas as coisas daquela casa, principalmente os nojentos patrões. Mas isso não importava agora.
Desleixadamente vestido, mas ainda sim apresentável, o criado mal-encarado deslizava com rapidez pelos corredores escuros segurando um candelabro aceso em uma mão ossuda e um pesado molho de chaves na outra. Em sua mente, ele amaldiçoava veementemente a pessoa que estava batendo uma hora daquelas.
- E quem tem que ir atender? – Resmungava ele, sua voz aguda ecoando nas paredes. – Sempre o mordomo, sempre o criado! Vida maldita essa minha.
Praguejando, destrancou as sete trancas da alta porta de carvalho, que precisavam de sete chaves diferentes do molho. Aprumando-se, ele girou a maçaneta e puxou a porta.
- Pois não? O que você quer aqui?
Para seu espanto, não havia ninguém do outro lado na noite chuvosa. Apenas água e trevas. Isso o deixou profundamente irritado, muito mais do que já estava. Ele não era pago para aturar criancices.
- Vão pro Inferno! – berrou para a noite.
Quando se preparava para fechar a porta e voltar para sua cama quente em seu quartinho apertado, entretanto, ele ouviu algo que o fez empalidecer feito cera e congelar exatamente onde estava, incapaz de se mover.
Um grito. Longo, rouco e horrivelmente choroso como o vento. Um lamento agonizante arrancado do âmago de uma alma solitária, que ecoou na madrugada pelos imensos campos de colinas. Indescritível, sobrenatural. O ambiente ao redor ficou frio e sem vida. E então, o silêncio caiu mortal nas planícies.
Nota: Um toque de mistério...mas a história continua. Eu escrevo a continuação. A primeira parte é do Pedro Carlos, amigo querido! O aniversário dele é amanhã resolvi postar para uma homenagem, quem sabe um presente!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Duas xícaras de chá


-Um convite para tomar um chá...acho que é a primeira vez que me convidam para um chá.
-Porquê? Falta de costume?
-Não, é que sempre que se convida para um "chá" na verdade é um café disfarçado. Literalmente assim, é a primeira vez.
-Bom, você pode escolher o qual quiser, camomila, erva-doce, erva-cidreira...
-Talvez eu tome um de cada...acho...
-Eu prefiro erva-doce...
-Aham...
Silêncio, enquando ambos tomavam um gole do respectivo chá que escolheram. E apreciavam a paisagem da sacada do apartamento dele. Era pôr-do-sol. E ela se sentia quente e acolhida, não sabia dizer, porém, se era pelo chá, se era pela companhia dele, ou se era pelo pôr-do-sol.
-Porquê eu? Digo, porquê me convidar para o chá, e porquê chá?
-Simples, você me disse que gosta muito de conversar, de trocar idéias, de refletir junto com outra pessoa, eu também! E eu acho que a bebida que inspira para esses tipos de diálogos é o chá! Também achei um bom motivo para te conhecer melhor...
-Eu também queria te conhecer melhor, sabe, longe de todas aquelas pessoas da faculdade...
E esse realmente era um bom começo. Uma mesa posta na sacada para dois, duas xícaras, chás variados, a beleza do fim do dia, e os olhos dele querendo mais, muito mais do que somente algumas xícaras de chá.

sábado, 26 de setembro de 2009

Nos meus olhos


-Tudo o que eu sei é o que está escrito nas páginas antigas do meu caderno de rascunhos. Além disso eu não sei de mais nada. Quero continuar não sabendo, porque saber ou planejar se algum acontecimento inesperado pode surgir e mudar tudo? Quero continuar com os dias assim, na total supresa do destino. Quero que o tempo passe na medida certa e na velocidade compatível a cada momento. Porque pensar no amanhã é pura besteira, é tolice. Hoje eu só quero a emoção que o hoje me propõe. Hoje eu quero o seu abraço, o seu beijo. Hoje eu quero estar aqui e mais nada. Deixo que o futuro venha da forma que lhe convir. Eu só quero respirar hoje. Só por hoje.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Física em Camões


-Ah! O amor...sentimento que toma completamente o coração da gente. E nos deixa tão bobos, tão perdidos, tão fora do próprio corpo. Não, não estou apaixonada. Eu sou apaixonada por tudo aquilo que me fascina, por tudo aquilo que por algum motivo amo. Não, isso aqui é sobre idéias vagas que tive em uma aula de termologia quando olhei para o lado e vi meu colega de turma suspirar ao ler uma carta de sua namorada. E ele estava tão completamente absorto pela leitura, na inebriante fascinação que aquilo lhe causava que chegou até a sorrir bobamente para o papel. Ah! O amor! Causando agonia nos corações humanos e a felicidade extrema e dependente. Confesso que fiquei com inveja, mais ainda quando ele mandou um romântico aceno a sua amada que senta do outro lado da sala. E eu no meio (literalmente) de todo esse amor. No fim dessa breve reflexão vaga, eu me conformei com a minha situação atual e resolvi copiar a matéria, afinal Q= m. c. T não muda e não causa dúvidas existenciais (pelo menos não para mim). Só que ficou uma nota de rodapé no caderno, na página em que copiava física, Camões ganhou um espaço e disse "Mas como causar pode seu favor, nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor?". Camões toma conta de mim.
Por: Carolina

sábado, 19 de setembro de 2009

Entre tubos de ensaio


-Eu gosto tanto de você que nem consigo suportar.
-Gosta? Com toda sua vontade?
-Com todos meus sentimentos, tanto e tanto que falta o ar quando te vejo,e me dá uma vontade de passar a eternidade olhando para seus olhos, assim, como agora...
-Querida...a eternidade é muito tempo, é tempo de mais.
-Mas o que sinto é grande, é imenso, e caberia certinho na eternidade.
-A eternidade tem tamanho? Achava que era alguma coisa, assim, imensurável.
-Pode ser, e pode não ser. Para mim a eternidade é o lugar do meu amor, ele fica lá, guardado, porque é somente na eternidade que ele pode acontecer na maneira mais maravilhosa possível, da maneira simples de amar.
-Uhm...então tá, eu prefiro guardar meu amor em um tubo de ensaio.
-Nossa, tão pequeno assim?
-Não, em um tubo de ensaio eu posso adicionar o que eu quiser, retirar o que for preciso, fazer reagir, dosar, medir, e ainda é a medida exata do meu bolso, para levar aonde eu quiser.
Silêncio.
-...
-...!
-Eu adoro o fato de você ser químico.
-Eu adoro o fato de você ser romântica.
Na verdade, eles se adoravam, pelo simples fato de se adorarem. E entre tubos de ensaios eles se beijaram. Um beijo que com certeza era do tamanho exato da eternidade.
Por: Carolina

domingo, 13 de setembro de 2009

Detalhando

-Fazer das pequenas coisas da vida, grandes coisas. Esse é o lema. Esse é o caminho. Não adianta ficar esperando grandiosidades se a simplicidade e o necessário se encontra no pequeno. Um sorriso, uma palavra simpática, uma ajuda em uma hora nada difícil, um olhar amigo, uma festa naquele final de semana parado, uma música cheia de sentimento, um livro em um dia frio, um bom filme, uma tarde toda jogando conversa fora com alguém muito especial. São a essas coisas que se deve dar valor, porque as vezes o que realmente importa não é a obra completa e sim os detalhes. Eu adoro os detalhes. Mas nem sempre foi assim, a obra pronta é mais bonita, mais interessante, contém maior grandeza. Só que ao final, são os detalhes que proporcionam beleza, leveza, simplicidade, sem eles não havia obra, não haveria gravura, não haveria quadro. A minha vida ainda não é uma obra completa e está longe de ser, mas estou cuidando o melhor que posso dos detalhes. A grandeza está em saber percebe-los.


Por: Carolina

sábado, 12 de setembro de 2009

Correndo

-Eu precisava escrever. Precisava estar perto das palavras para afastar da lembrança pensamentos que não deveriam estar lá. Corri desesperadamente para cá, mesmo sem ter frases prontas, mesmo sem ter idéias ordenadas, somente queria o refúgio de um lugar tranquilo. O silêncio que esse espaço só meu me traz afasta a realidade do mundo de mim, e as vezes eu gosto mesmo é de viver em uma realidade inventada. E nessa realidade as coisas são como eu quero que sejam, e acontecem do jeito que eu quero que aconteçam. Eu sei, eu sei que ultimamente por muitas vezes o meu mundo inventado desaparece, desmoroma, e eu enxergo claramente a dura ilusão que tinha criado. Mas a vida me cobra uma postura, me cobra atitudes reais e pensamentos reais, no mundo atual não há espaço para românticos e idealistas. Só me resta então viver. Viver nesse mundo que os outros inventaram para mim, para todos. Mesmo sabendo que eu, possuo em segredo um mundo só meu.


Não era esse o rumo que queria dar a esse post. Como disse acima, não tinha nada preparado, deixei somente as palavras seguirem a linha. Nem eu me entendo as vezes, quem dera vocês me entenderem.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Antecipar uma viagem


-Houve um tempo que saía pela rua com minha câmera fotográfica na mão e um grupo de amigas, para tirar fotos em esquinas bonitas. Explorávamos os lugares da minha cidade e tudo era eternamente novidade. Passar em frente de casas, colher flores em arranjos, espiar aquele menino bonito da rua de cima, era simples e alegre. Tudo terminava com um sorvete na Esmeralda e se tivessemos sorte, um belo pôr-do-sol. Escrevíamos nos cadernos uma da outra que seríamos amigas para sempre. Para sempre é tempo de mais, e com o passar dele uma a uma elas foram embora, seguindo o destino de suas vidas. Restaram disso tudo minha câmera com fotos vazias, as flores amassadas e secas por livros e eu, a última que ainda resta. Vivo em Marília como sempre vivi, contemplando o céu e as pessoas e feliz por fazer parte da vida de tanta gente. Ainda percorro as ruas a observar tudo como se fosse novidade, porque mesmo estando tudo igual, eu estou diferente e vejo cada coisa como se fosse novo, de novo. Mesmo sem minhas companhias, ainda sento nas mesinhas da mesma sorveteria a contemplar a mesma vista pensando que serei a última a ir embora. E por ser a última, serei, quem sabe, a primeira a voltar.
Nota: Espero que logo logo pare de chover e faça sol. Um sol bonito e um céu claro.
Por: Carolina

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Outra vez


"Você foi o maior dos meus casos, de todos os abraços o que eu nunca esqueci. Você foi, dos amores que eu tive o mais complicado e o mais simples pra mim.

Você foi o melhor dos meus erros a mais estranha história que alguém já escreveu. E é por essas e outras que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez.

Você foi a mentira sincera, brincadeira mais séria que me aconteceu. Você foi o caso mais antigo o amor mais amigo que me apareceu.

Das lembranças que eu trago na vida, você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.

Esqueci de tentar te esquecer, resolvi te querer por querer. Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade. Sem nada perder.

Você foi toda a felicidade, você foi a maldade que só me fez bem. Você foi o melhor dos meus planos e o maior dos enganos que eu pude fazer."




-Essa música me lembra quando saía com meu pai sabado de noite para dar voltinhas na cidade. E a rádio tocava só clássicos da música brasileira. No maior estilo "Ao mestre, com carinho." Eu que nem entendia muito bem de "clássicos" me emocionava com as melodias, com as letras e com a simplicidade daqueles passeios.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sentimentalismo

"-Por que você desvia o olhar?

-Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos."



Encontrei esse pedacinho de texto no orkut de uma conhecida, e ele me fez pensar...e no meio dos pensamentos surgiu a pergunta "por que eu desvio o olhar?" eis a resposta:

Porque quero evitar olhar para trás, para tudo o que já passou. Porque sei que no passado estão seus olhos, fugindo de mim, indo embora. Não quero encontrar com a saudade que há, no espaço deixado pelo vazio que você deixou. Então eu desvio o olhar, ignorando tudo o que já existiu. Fingindo que não acredito no amor, relutante em aceitar que um dia eu terei que encarar de frente seus olhos. Seus olhos nos meus olhos. Trazendo de volta tudo aquilo que já foi, e me lembrando de tudo aquilo que poderia ter sido. Eu desvio o olhar, porque ainda te amo.


Extrema dose de romantismo. Essa semana lembrei de algumas paixões antigas.

sábado, 29 de agosto de 2009

Ora (direis) ouvir estrelas!

"Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim,
Alegre pela vitória que tenho em poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, salvo ver-te.
A tua beleza para mim está em existires.
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim."
(Alberto Caeiro - Fernando Pessoa)

-Quinta-feira eu fui no observatório da minha escola. Apesar de estudar lá durante 11 anos, eu nunca havia subido até o 4° andar, e nunca havia ousado chegar perto da escadaria que leva até lá. Exceto nesta quinta-feira. Consertado, arrumado e reativado, lá fomos eu e minha turma para uma aula de astromonia. Que foi única. Ver o teto se abrindo magicamente sobre minha cabeça foi incrível. Olhar para cima e contemplar o céu estrelado foi maravilhoso. E, eu, ali de baixo daquela imensidão prateada não tinha outro pensamento a não ser o de quanto sou pequena perante todo o universo. Assustador. Mas tudo lá em cima não depende de mim para acontecer. Simplesmente está tudo lá, na mais perfeita ordem, na mais completa tranquilidade, no mais inquietante silêncio. Quando olhei pelo telescópio e vi Júpiter, entendi que a ordem natural das coisas não obedece as leis humanas. Júpiter olhou de volta para mim, e no mais completo respeito permitiu que eu entendesse o quão grande é o universo ao meu redor. Eu fiz somente retirar meus olhos ansiosos do visor, voltar minha visão para o alto, para longe, como se naquele momento todos os planetas, todas as estrelas parassem para que fossem observados por humanos curiosos. Olhos que enxergam somente sua imensidão.




--Misturei alguns poemas, desculpem a confusão. Mas é que fui incapaz de escolher entre um somente. Então, decidi pelos dois, um em cada função. A de nomear este post, e de inicia-lo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Tenho todo o tempo do mundo

-Não tenho muito o que escrever. Parece que quando tudo está tranquilo e em paz as palavras ficam escondidas em algum lugar, que ainda tenho que procurar. Mas caminho pelas ruas pensando em palavras, olhando para o céu e fazendo frases e mais frases que simplesmente me faltam nesse momento. Não tenho grandes reflexões, não estou angustiada com nada, não estou pensando muito no futuro ultimamente. Tudo está calmo, como o vento que entra agora pela minha janela, me lembrando que não vale de nada ficar aqui enrolando, enrolando e enrolando. Havia somente uma preocupação, uma ansiedade, uma expectativa. Mas essa também se foi com o passar dos dias, com as verdades se revelando mentiras, e com o cair das falsas impressões. Não entendo muito bem o porque de uma pessoa jurar palavras vazias para outra, não entendo muito bem o amor também. Por isso fecho os olhos, e espero o coração se recuperar(acho que na verdade ele nunca esteve ferido) era tudo impressão. Era tudo passegeiro. Assim como essas palavras, assim como essa vida, assim como essa brisa que já se foi há tempos pela minha janela.




-Não sei como está minhas visitas atualmente, queria pedir um favor. Tenho que arrumar uma fantasia para uma festa. Alguma idéia? Espero que tenham mais imaginação que eu.

Agradeço



Por: Carolina

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Ao fim


-Fabiano tinha medo. Medo de se envolver de mais, de se apaixonar e depois perder Laura para sempre. Era inevitável que iriam se separar. Ela iria mudar de cidade com a família no final do ano, e ele permaneceria na mesma cidadezinha do interior. Por isso Fabiano havia se afastado de Laura, se mantinha longe do telefone, evitava passar perto da casa dela quando voltava do trabalho e tentava a todo custo ignorar a dor. Quando seus pensamentos o traiam ele discava os 8 dígitos do telefone dela e ouvia a voz doce do outro lado dizer "Alô?". Fabiano não tinha coragem para responder porque tinha medo. Assumir qualquer compromisso com ela seria somente contar os dias para o fim, para a solidão. Mas também era uma questão de tempo esquece-la, aos poucos ele iria conhecer tantas outras garotas. Enquanto isso não acontecia Fabiano brigava contra a vontade de ver Laura, de falar com ela. Ah! E como ele queria! Se queria... . Ao fim, Fabiano optou por respeitar a distância que a vida imporia para separa-los. Decidiu não olhar mas para trás, decidiu não se arriscar em um amor o qual o fim era previsível e dolorido. Fabiano decidiu esquecer Laura, terminar tudo antes mesmo de começar.
Diz tanto sobre mim. Sobre as coisas recentes que aconteceram. Mas torço para meu fim ser diferente do fim da minha história. Sem mais.

domingo, 16 de agosto de 2009

Uma pausa


-Moço, por favor, um cascão com duas bolas de cereja! E...moço? bem grandes ok? E com cobertura de morango! Dá para colocar também aqueles rolinhos de biju? Obrigada!
Eu quero mesmo é viver, e esquecer do amanhã! Afinal, eu tenho todo o tempo do mundo!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Conversas aleatórias



Eu amo tudo o que foi

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
(Fernando Pessoa)
-Porque realmente o passado anda super presente. Esses momentos de "ficar de madrugada no computador" dão nisso. As folhas caem, mas as árvores ficam. E ainda pernamecem por muitas primaveras.
(porque não dá mais espaço isso aqui?)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Muitas gotas


-Chovia, e somente seu guarda-chuva não era suficiente para barrar as gotas que insistiam em molhar. Celina caminhava o mais rápido que podia, mas caminhar rápido só faziam as gotas molharem mais e mais suas roupas. Não queria chegar em lugar nenhum, só queria apagar da memória a cena que acabara de assitir. Enquanto se esforçava para ficar seca, acontecimentos permeavam sua mente em total velocidade. Sempre havia achado estranho os sumiços de Henrique, mas nunca dera atenção suficiente para entender os motivos. Foi quando resolveu parar de atender as ligações dele que as explicações vieram, duras e frias, porém, verdadeiras. Henrique tinha outra, ou melhor, outras. Nunca faltava companhia para ele, sempre que Celina não atendia ao telefone, ou não podia sair, não era problema nenhum, ele simplesmente buscava na agenda o número da próxima, em ordem alfabética. E eram festas até altas horas, depois que Henrique já havia deixado Celina dormindo, na tranquilidade de sua casa. No entanto, não era tudo isso que magoava Celina era o fato de Henrique ter feito-a acreditar que era importante. Era que Celina queria ter tido mais tempo para conhece-lo, para conversar, para dividir qualquer coisa de sua vida com ele, queria ter tido mais tempo para saber com quem estava se envolvendo, por quem suspirava. Não teve, o tempo foi curto, e a verdade foi mais curta ainda, foi só Celina entrar no simples café para se abrigar da chuva, que tudo se tornou trasparente. Lá estava Henrique, com aquela menina que ela conhecia, que havia estudado com ela anos atrás, ambos abrigados da chuva, dividindo alguma bebida quente. Celina observou por alguns minutos, sorriu frente a ironia da vida, e se dirigindo a saída, abriu o guarda-chuva, e encarou a pequena tempestade. Não adiantava lutar contra a chuva mesmo, ela iria se molhar querendo ou não. Desse modo, Celina fechou o guarda-chuva, e saiu correndo. Correndo pelas avenidas vazias, correndo por entre os postes e carros, correndo pela vida. Apesar de tudo, ela já estava na chuva, só precisa agora se molhar.
Nota: Achei que seria bom lavar a alma. Agora acabou.
Por: Carolina