quarta-feira, 21 de julho de 2010

Volta


-A campainha de aviso dos pilotos soou alto. Fazendo-a acordar com um sobressalto. Diziam, mais uma vez, que o voo atrasaria devido ao mal tempo. Ela simplesmente olhou de relance o relógio de pulso. O que seriam algumas horas, comparado ao longo tempo que havia esperado. Foram seis meses. Seis meses de uma experiência inesquecível. Seis meses de alegrias. Surpresas. Acertos. Erros. E de saudade. Não somente de seu país. Do sol constante. Da familiaridade das paisagens. Da receptividade do povo. Mas dos pais, dos amigos, do irmão. E dele. Quando a imagem nítida dele surgiu em sua mente, ela se arrumou melhor na poltrona puxou para mais perto do rosto as cobertas. Pronta para enxugar qualquer lágrima. Não que ela houvesse deixado-o para trás. Abandonado-o. Esquecido-o. Ela havia viajado. Partido. E ele, permanecido no mesmo lugar. Fora difícil no começo. No meio. No fim. A falta machucava como agulha que espeta constante a pele. E as dúvidas. Sempre as dúvidas. De não suportar a falta. Do amor não durar. De outra pessoa aparecer. De ele descobrir que não bastava somente telefonemas curtos e cartas. E os medos. Medo de perde-lo. Medo do amor ser pouco e o tempo ser muito. 180 dias. 180 dias sem contato físico. Sem toques. Sem olhos nos olhos. Incomodada com esses pensamentos, mais uma vez, se arrumou na poltrona. Havia demorado para decidir se iria. Deixara para a última hora. Por fim, quem incetivara fora ele. E ela foi. E agora estava de volta. Quase de volta. Quase no chão de seu país. Não negava. Aprendera muito. A viagem foi essencial para sua formação. Pessoal. Profissional. Mas o buraco no peito era enorme. Queria ve-lo. Sabia, mais do que nunca que o amava. E sabia também, por mais que houvesse dúvidas que quando o avistasse sorrindo para ela no aeroporto tudo estaria exatamente igual. O mesmo amor. E até mesmo maior. Um amor maior. Faltava um hora para o fim da viagem. Se aconxegou na poltrona e imaginando o abraço que receberia, dormiu. Um sorriso tranquilo permaneceu em seu rosto.
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Sem mais.

3 comentários:

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  2. Lindo Carol..
    Impressionante como tudo o que você escreve eu consigo relacionar comigo, com o que eu to sentindo..
    Sou mais uma admiradora dos seus textos e você sabe disso né?!
    Parabéns.! =)

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  3. Lindo...
    "tudo estaria exatamente igual."

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